CONSEQUÊNCIAS DAS AÇÕES DOS MALIGNOS

Artigo publicado em 08.08.2013-MM

Prof. Marcos Coimbra

Membro do Conselho Diretor do CEBRES, Titular da Academia Brasileira de Defesa e da Academia Nacional de Economia e Autor do livro Brasil Soberano.

         Em dez/2005 escrevemos neste espaço artigo intitulado “Os Malignos”, tema que se revela oportuno no momento atual, principalmente em função das manifestações populares autênticas ocorridas no país. Afirmamos então que existem pessoas que pensam 24 horas por dia em como tirar dinheiro principalmente da classe média e dos menos favorecidos, tanto na esfera pública como na área privada. São criaturas do mal.

         No setor público, criam dificuldades para gerar facilidades. Há dezenas de impostos, taxas, contribuições tarifas e cobranças de toda ordem. Aumentam arbitrariamente as alíquotas. Inventam justificativas pueris para extorquir o cidadão. Ao mesmo tempo, beneficiam os segmentos financeiro e bancário, que, apesar de usufruírem o maior lucro da história, praticamente nada pagam de imposto de renda em comparação com o assalariado. É a tática “Hood Robin”: tirar dos pobres e remediados para dar aos ricos, ao contrário do lendário aventureiro Robin Hood

         A cada mudança na legislação ocorre mais um assalto ao contribuinte. Os governantes estão cada vez mais ricos. Vão à Europa como o cidadão comum vai à Niterói. Gastam fortunas em festas suntuosas e segurança para si e para seus parentes. Transmitem o mandato legislativo de pai para filho, de marido para mulher, de avô para neto, ancorados em uma sólida base assistencialista e clientelista, usando a corrupção. O empreguismo é desenfreado. Pouco é dado em contrapartida. As estradas estão resumidas a uma sucessão de crateras. A energia vai entrar em colapso caso o Brasil volte na crescer acima de 5% ao ano. As comunicações foram entregues a corsários alienígenas. A saúde pública está abandonada. A educação pública, refém de cotas, forma analfabetos funcionais. A segurança pública desapareceu. A previdência pública está sendo deliberadamente quebrada, para propiciar o crescimento da previdência privada. O país cresce como rabo de cavalo. Para baixo. Enquanto isto, os demais países pertencentes aos BRICS (China, Índia, Rússia e África do Sul) crescem. Mas lá os corruptos são exterminados com um tiro na nuca e a família ainda paga a bala.

         Na esfera privada, progressivamente a atividade produtiva vai sendo transferida para o domínio de empresas estrangeiras. Em uma pesquisa menos superficial, constatamos que a maioria das 500 maiores empresas do país pertence ao setor financeiro, direta ou indiretamente. De fato, o segmento especulativo no Brasil agora usa empresas comerciais e industriais para captar clientes cativos e lucrar, de fato, no giro do dinheiro. É por esta razão que, atualmente, é muito difícil comprar à vista em qualquer loja. O desconto oferecido não compensa, quando é comparado com a possibilidade de pagamento no cartão de crédito, em várias parcelas, “sem juros”. É óbvio que o valor dos juros já está embutido no preço estipulado da mercadoria oferecida, vide as ofertas das principais lojas de varejo no Brasil.

Outro exemplo marcante é o empréstimo com consignação em folha para aposentados e pensionistas, com risco zero para os Bancos, que chegam a cobrar até 5% ao mês. É uma das maiores crueldades perpetradas contra os menos favorecidos, os quais estão se endividando brutalmente, estimulados por irresponsáveis meios de comunicação, sem o menor controle por parte das autoridades econômicas.

         É difícil combater os malignos, pois seu poder é incomensurável. Controlam os meios de comunicação, elegem representantes no Poder Executivo e no Legislativo. Influenciam até o Judiciário.

         Por isto, existem razões de sobra para a eclosão de autênticos movimentos populares nas ruas, indignados com a falta de governança, de gestão, do atendimento às necessidades básicas do cidadão, sufocado pela corrupção desenfreada flagrada indiscriminadamente em quase todas as atividades desenvolvidas no Brasil, pela mentirosa propaganda maciça do governo, tentando iludir o povo, apregoando conquistas inexistentes, pelo absurdo desperdício de recursos, com o perdão de dívidas a ditaduras estrangeiras, com ricos administradores corruptos para beneficiar algumas empreiteiras, grandes financiadoras de campanhas eleitorais e tantas outras consequências dos desmandos dos atuais detentores do poder no Brasil.

         O povo brasileiro merece respeito e dignidade. É chegada a hora de todas as pessoas de bem unirem-se para que, algum dia, nossa Pátria volte a ser o que já foi em tempos passados. Um Brasil soberano, em ritmo de desenvolvimento, funcionando quase a pleno emprego, com uma real classe média pujante e com a contrapartida de serviços coletivos dignos.

Correio eletrônico: mcoimbra@antares.com.br

Página: www.brasilsoberano.com.br.